terça-feira, 1 de junho de 2010

A raiva

quero partir os meus próprios dentes
que habitam na fossa do meu ser
assim as palavras veneno de serpentes
ecoariam de forma livre sem apodrecer

decerto algum desalinho dos iões positivos
não vou culpar um deus ou falso demónio
vou injectar sódio ou outros respectivos
e esperar ate ao rebentar do crânio

a raiva dentro de mim só em mim aumenta
tenho um colete de forcas intravenoso
que só a morte vai terminar a tormenta

o sabor da derrota do desistir penoso
critico do sol da lua e astros presentes
não os posso morder já parti os meus dentes.

De todas as janelas


De todas as janelas
fechadas ou abertas
que dão para a rua
que dão para as ruas
deixo ideias na minha ida
cada vez que deixo a janela
quebro o pensamento
pensamento índole da vida
um mundo aberto á sede
as hipóteses filosóficas
nos pregoes que se ouvem
esquecidos nas paredes
de cal branca alheia
na relegiao que nada ensina
a caligrafia do homem
que já não chora
que é estátua de ferro
enferrujado das lágrimas do tempo
que existe sem duvida como eu existo
como eu pressinto que não sou
na mentira ebria sem musicalidade alguma
dessas imagens do mundo que das janelas saiam
tão inúteis e estúpidas quanto eu
humano mas inútil.
sim inútil!
Por consequência do presente
não quero parecer nada passado
nem do futuro imperfeito a que nos obrigam a ser.
Passo ao largo no meu carro velho
no meu triste olhar das janelas
abertas ou fechadas
da confusão que tento sair
olho uma vez mais
já não esta
foi-se num salto de malabarista
confundido com o nevoeiro
próprio destas manhas cinzentas
lavo a cara num desespero
corro abro a porta
saio de casa sem fôlego
sim !
Esta tudo na mesma
Fecho a janela .





manesflama (jose neves)

terça-feira, 25 de maio de 2010

poesia enigmática

pondo-me de costas
viro-me do avesso
pasmo com as cobras
que envenenam o verso

cripta dormente
cardos fluorescentes
almas no sol poente
presas pelos dentes

caca de pardal
ovo de tartaruga
taça de cristal
na face uma verruga
ponto final
cripta matemática
poesia enigmática

manesflama (jose neves)

terça-feira, 18 de maio de 2010

Por onde andas tu?


Por onde andas tu?
Velo a tua presença
sinto a tua distancia
as sombras num branco nu
causam tamanha descrença
ruindo sonhos de criança
nos beijos de pétalas irreais
em lábios de sal vermelho
com raiavas existenciais
por querer ser uma vez mais
o pincel frenético
a tinta mórbida
o pano cru
por onde andas tu?








manesflama (jose neves)

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Desculpem qualquer coisinha

desculpem qualquer coisinha
audaciosos e ilustres senhores
que escrevem de forma tão fofinha
sobre a vida e seus amores

desculpem a minha teimosia
de falar-vos de forma frontal
das coisas que descrevem
uma existência nojenta e banal

porque fogem com a ladainha
do amor e alma em sofrimento
desculpem qualquer coisinha
morrem homens neste momento

sem causar muito alarido
gostaria de salientar
o homem foi mal parido
esta na hora de consertar

nunca parem de escrever
mas tenham muita atenção
amor podre e alma fútil
aguas podres da educação

desculpem qualquer coisinha
é que ao silencio não me retiro
fazer barulho é coisa minha
porque não sou um vampiro!







manesflama (jose neves)

segunda-feira, 12 de abril de 2010

em busca de um sonho

em busca de um sonho

ri de quem já sabe tudo
e chora em auto critica
inventou o cinema mudo
a personagem fatídica.

em busca de um sonho

aquele que anda a solta
na procura do real
pesquisa na revolta
a sua frescura ancestral.

em busca de um sonho

abre o cárcere das letras
malditas sejam que ali ficaram
esquecidas na lua nova
sofreram as mãos dos déspotas
facas afiadas que cortaram
as raízes da sua trova .

em busca de um sonho

vê na pálpebra molhada
a amargura a indefinição
a alegria torturada
a vida em putrefacção.

em busca de um sonho

vaidoso e bem falante
disfarçado de sentimento
incapaz de ser arrogante
na calunia ou desalento
paria frases sem pudor
palavras soltas ao vento
portos de mar distante
onde se despeja a dor.

em busca de um sonho

e no ventre da barcaça
que parira o maldito sol
apodrecia o filho bastardo
com rituais de um adeus maior.















manesflama (jose neves)



quarta-feira, 7 de abril de 2010

Os filhos da Liberdade

A morte subiu ao palco com a força da multidão
Desprezada, iludida, maltratada era mera ilusão
Os feitos de grandes homens desta forte nação
Encarregues de iludir o povo que luta pelo pão

Exibem a guerra de corrente
Feita de sangue avinagrado
Das veias secas de um rio pungente
Onde navega o homem condenado

No palco onde dançam bailarinas da desordem
Empolgam-se outros conscientes da verdade
Sussurram baixinho a medo que acordem
Os sempre adormecidos,os filhos da Liberdade.




manesflama (jose neves)

sábado, 3 de abril de 2010

Uma rosa a luz da Lua


E porque já não consigo dormir
escrevo durante a noite
aquilo que me perturba
tem a face em cores de primavera
não tenho sono nem paciência
nem amigos ou inimigos.

Todos os meus recursos se esgotaram
e acabo sem maneiras
a mente e o coração em guerra
as estrelas com inveja da lua
a lua com inveja das estrelas

E a esta distancia
o inimigo empobrece.
E a Lua pergunta:
-Quanto tempo terei de esperar
pelo meu próprio sol?

Quando a rosa murchar
o jardim aos poucos desaparecerá
os segredos revelados
o amor nada tem a ver com os cinco sentidos.

Um momento de alegria
sinto a corrente da agua da vida
não vás a lado algum sem mim
nada pior do que caminhar sem ti
e da maneira que a noite
conhece os contornos da lua
vem ate mim!

Acerca-me de sombras reais
e voarei de mim mesmo,irei.

Nem portas ou telhados me segurarão!



manesflama (jose neves)

quinta-feira, 1 de abril de 2010

espelho de amor

o amor sofre preso num coração gelado
que não pode voar livre num imenso céu
grita , morde , chora , sonha calado
a louca ambição de um dia ser teu

o amor começa forte não persegue lucro
mas morre fraco fútil entupido de juros
a moeda do sofrimento no seu sepulcro
de duas almas salpicadas desejos puros

entra na minha casa ou eu saio com o teu perdão

pois a minha alma absorveu o perfume teu
transforma esta cesta de pó em estrelas
pondo pétalas de rosa no coração em breu

e como os espelhos não guardam sentimentos
olho-te e parto o coração
e o amor liberta-se dos fragmentos

já não sabe voar cai e morre no chão.




manesflama (jose neves)

quarta-feira, 17 de março de 2010

debaixo do meu olhar

sem desprezar as multidões
um homem de trajes convencionais
vai rua abaixo de forma banal
olha os demais de forma normal
sente que a sua caminhada de certa forma
e uma caminhada a que chamaria de habitual
e vai rua abaixo pois rua a cima seria fatal
o homem que que era conhecido da vizinhança
que o conhecia desde os tempos de criança
há muito tempo que abandonara a vontade de controlar tudo e todos
liberto de conceitos e formas planeadas
notou que o mundo no qual caminhava , começara
a caminhar por si próprio .
a tolerância da felicidade apontada a sua existência,como alfinete de ponta fina
pronto a romper o painel do tempo repressiva e amarguradamente ,deprimente .
revelava-se em mistério de forças de vontade emergentes ostentando o quanto a magnitude dos ideais nivela os resultados dos mesmos .
a insanidade incontornável de todos os seus actos
por muitos criticados por poucos ignorados eram a sua mais valia ,no preludio da sua identidade a qual nunca abdicou ,tal fora a adaptação a dita normalidade .
mórbido mas fiel a sua magra figura com contornos fatalistas ,continuou por muitos anos sem desprezar multidões .
rua abaixo sem parar.

manesflama (jose neves)

quinta-feira, 11 de março de 2010

poetas de algibeira

poemas de algibeira
paridos em sofrimento
povoam de sobremaneira
pessoas feitas de cimento

num burgo aperfeiçoado
com maneiras teatrais
por um ser amaldiçoado
feitas poesias banais

a memoria de uma batalha
em que os cravos já murcharam
com pescoço na navalha
que os poetas inventaram

há os que regam na memoria
o canteiro de terra morta
na derrocada da historia
que nos entra pela porta

são poetas de algibeira
que nos impingem amor
queime-mo-los na fogueira
onde o ódio pariu a flor .




sexta-feira, 5 de março de 2010

o bom e o mau vilão

o bom e o mau são dois ?
ou um só?
a dualidade e medonha e chega a dar dó
vilanagem!
caricatos.
basta ler aqui e ali
e os seres revoltados
pacatos.
ninguém lê
abandonados!
o bom e o mau vilão
sorri com desprezo no bigode
olha o umbigo e goza
com tamanho pagode
raios parta a todos menos eu!
sou todo poderoso!
sou o teu e o meu!
norte da fuga abalada
o vilão bom e mau
não são nada!
só alma deveria ser cremada.




manesflama (jose neves)

a medo.

rasguei ferozmente a carne podre do teu vestido
bordado de palavras avessas queimadas do tempo vão.
pus a nu a quadra flamejante de cores frias noctívagas
evolvi-te num manto de cristal baço intransponível
cerquei a luz envolvente na esperança ténue
voltei do abismo dançante em que matei a lua
e volto-me para o teatro das serpentes aladas salivantes .
enojas-me!
vomito verbos e adjectivos que eram teus
mato-me para ter o prazer de renascer .


manesflama (jose neves)

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Um poeta não existe .vegeta !

reconheço que fingir é brincar com a verdade.
o real imaginário a fuga audaz do quotidiano.
perder-se no virtual em busca da realidade.
é um ser sem existir rodopiando antes de cair
mas se fingir é brincar?
brincar será fingir?
qual é a linha que separa o real do virtual?
o ego do poeta é o real ou o fingimento ?
será que fingir o virtual é tocar o real ?
pode ser-se poeta e desmascarar-se ?
no seu ego fulminante que cega ao ponto de não se poder rever.
e com facada certeira acerta o seu próprio peito ferindo todos a sua volta .
cria sem fadiga emoções, suposições, cobardias ,fragilidades .
exorta nos leitores a viagem egocêntrica o rancor descaracterizado .
sobe ao pedestal por ele imaginado .
e cai .
sim cai !
e depois de cair sente que a realidade e mera inexistência.
um poeta não existe ,
vegeta !


de mim

ela veio triste rua a cima
e eu no canto da sala calado
a espera da mudança de clima
que lava o sangue derramado

ela veio triste e sem aviso
só ,matreira e acutilante
de tez franzida a passo preciso
rompendo o infinito distante

e eu no canto da sala calado
esperando sóbrio o odor letal
gritei a medo insonoro o medo

com formas de animal multicolor
paleta de artista sonâmbulo
pianista poeta pintor ,cardeal.



Detesto pensar que sou poeta !

um poeta engana-se a si mesmo
procura nas palavras o que não tem de facto
e um mero cínico capaz de inverter amor em ódio , paixão em solidão!
e um canalha !
e esmera-se a vaidades fictícias .
alimenta o seu próprio ego e o de quem se revê
nas rimas que excreta .
detesto pensar que sou poeta !

quero-te ainda mais

levo-te para bem longe
e la longe me desespero
de não te querer deixar .
abandono-te , amaldiçoo-te,
escorraço-te! levo-te para bem longe
e la longe já sinto que a tua presença me aflige . que o ar me sufoca ,que o sol me queima ,
que o pó me engole !
levo-te para bem longe
e la longe onde o sol se confunde com outros sois tu és fria .
tu és incolor , insípida,
inodora ,insignificante !
mergulho na agua podre
de um lago profundo de cadáveres .
procurando-me ,evitando-me !
nado em agua seca de um mar
deserto de amor banal.
banho-me em laminas afiadas que rasgam
o sentimento frágil,amedrontado.
repito os rituais
dementes labirinticos que
desaguam em ti .
no recalcar das lágrimas de sangue
e pétalas de rosas brancas
tu sais feroz ,
capaz de atormentar de novo
quem um dia te abandonou.



os amantes da alvorada

os amantes da alvorada
são capazes de tudo
e esquecem a madrugada
num nascer do sol mudo

envolvem-se em caricias
por vezes brutais
na cama no quarto no chão
são sinceros e reais
como as bombas no Afeganistão

os amantes da alvorada
são destemidos e bravos
matam ódios de rajada
são cúmplices da natureza
trocam balas por cravos
são amantes da beleza

saem a rua já tarda
repletos de harmonia
são amantes da alvorada
cobertos de nostalgia

a real façanha pergunto eu
que perco o sentido do tempo
neste quarto escuro de breu
onde a luz nem sequer espreita
com medo do pensamento
da noção do amor sóbrio
aos amantes da alvorada
que se amem sem desperdício
que neste mundo de guerra
não amar e quase vicio.


quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

liberdade

libertei em papeis brancos
palavras soltas e atrevidas
adjectivos loucos e verbos mancos
duelos permanentes sem conquistas
o ditador do pensamento
que da vida as palavras amorfas
reaccionário extravagante e barrento
deixa vitimas da escrita amontoadas
derrotadas sem rumo ou sentimento
descansam exaustas da ira do criador
voam para bem longe campos semânticos sem dor
e la encontram sinónimos nunca antes revelados
e caem exaustas num banho de tinta sem cor .


manesflama

sábado, 28 de novembro de 2009

a certeza de um dia melhor

a peçonha anda a solta
disfarçada de fartura
nesta sociedade nefasta
de liberdade prematura

de salto alto afiado
e casaco de pele morta
o Homem será torturado
perseguido de porta em porta

vem em pezinhos de algodão
obedece a anti natureza
insulto,chacina, opressão

mas podem ter a certeza
que a forca que milita
a alma do homem livre...
um dia vencera... um dia vencera ...

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

noites como esta

e em noites como esta
em que o sono não me abate
que o meu cérebro manifesta
que de amor não me mate

e em noites como esta
que procuro entender
a vida tão funesta
que nos obrigam a render

e em noites como esta
em que sonho acordado
na memoria que me resta
de ter dormido ao teu lado

e em noites como esta
igual a outras demais
que o dia já não presta
e as noites não são iguais

e em noites como esta
de desnível hormonal
que sinto a alma gasta
que só vive o animal

desejo em noites como esta
que a morte em alegria
me desse um beijo na testa
para eu dizer ate outro dia

terça-feira, 24 de novembro de 2009

com amor

nunca e demais falar de amor
nem que seja pura ilusão
fantasia, analgésico incolor
sonho de criança foguetão

amor ébrio que apaga o ódio
que consome homens e mulheres
que no sangue sobe ao pódio
gloria acesa em prazeres

esperança de poder amar
homens e mulheres lutam
cantando em alta voz
fogueira sem luar

cai nu ferido em papel branco
despojado cru triste sem sabor
com a túnica rota e sem tamanco
rabiscado assassinado ,com amor!

humanidades

passam o tempo a escrever futilidades
discutem na vida vazia o vento empoeirado
choram lágrimas de crocodilo e amam
amam tudo e todos em desvairada poesia

no ventre da prostituta acalmam as dores do dia
na noite em que descobrem que são mortais
embriagados e de barriga cheia poderosos
negam a solidão no álcool que destila o sangue

marcham em direcção negada fartos de sabedoria
políticos professores magistrados doutores
todo o lixo social que arma cilada a si próprio
desfilam em marcha lenta
com medo da morte fedorenta
calem-se!!!
o silencio e bem melhor .

sábado, 17 de outubro de 2009

o sol e um amor perdido

cansado de barba por fazer
deito-me e descanso na noite
parto em busca de algo feroz
um amor perdido
um sentir fervoroso
uma paleta de cores
uma disponibilidade
voo sem direcção marcada
voo sem hora de chegada
cansado de barba por fazer
sento-me junto do sol
conto-lhe acerca de nos
parece-me indiferente
pedi-lhe um pouco da sua luz
negou-me
parti
cansado de barba por fazer
e destemido
voltei a cama de onde parti
com a solidão nas mãos
com a saudade acrescida
com a magua da negação
fui a janela e
falei com a lua
que sorria
conversamos durante
tempos que esqueci
dancei com as
estrelas vadias da noite
iluminada
e o sol ciumento
cheio de magua
na manha seguinte
chorando veio
deu-me luz
pediu-me perdão
e
cansado com a barba por fazer
perdoei.



manesflama

terça-feira, 13 de outubro de 2009

o porque de te amar

amar-te e ser mais forte
e ser folha seca a cair no chão maduro
amar-te e fintar a dor e a sorte
e antecipar a poeira do futuro

amar-te e sentir a vastidão do universo
e ser um sonho imenso de rimas de ouro
amar-te e ser parte central de um verso
e ter-te num ocaso épico e duradouro

amar-te e fugir da cela dos arrependidos
e sentir o mar a beijar a areia
amar-te e poder sofrer
e morrer sem dor
amar-te e tocar a estrela mais brilhante de todas as estrelas .


manesflama

fui a o fundo do mar


fui ao fundo do mar
desci as aguas do medo
encarei almas desfeitas
lutei herói que sou
matei feras bebi seu sangue
vinguei a depressão
caminhei no fundo do mar
deixei rasto destruição
criei amores ódios ilusão
no breu da noite fria
em ódio precipitado
carniça peste rude
fedor neurótico assustado
já sem rumo e cego vou
desta vida desalojado
e o nojo invade a alma
e mais fundo não posso ir
escolho uma pedra no fundo do mar
sento-me na eternidade
sou infante sou um pulha
radio televisão
papagaio vaidoso
charlatão!



manesflama

domingo, 23 de agosto de 2009

pensando em ti

trazias a face lavada de suor
carregavas o semblante magico
destilavas a frio o sabor amargo
fingias com brincadeiras o real

querias unicamente disfarcar a dor
querias inocentemente calcar o tragico
querias aparentemente estar ao largo
querias desesperadamente não ser banal

muitas foram as promessas que falhaste
as mais que muitas e outras tantas talvez
rios que secam árvores que secam
olhos que já não choram
estrelas que só brilham de dia
tristes com as promessas que a noite faz
o vento que sopra em silencio
a agua do mar que recusa beijar as rochas do teu peito dorido pela amargura de ser sóbria

e passas despercebida!
mas não a mim!
grito de raiva que sinto
que jamais mudaras
que serás sempre autocondenada
sai da masmorra de pedra em que nos enclausuraste
e vive vive vive
sim tu és feita de vida
rasga a cortina do tempo
esta podre
esta sujo
e feito de raiva
deixa o mar fazer as pazes contigo
o vento voltar a gritar alto nos seus devaneios
por favor faz com que as estrelas voltem a brilhar de noite
e nesse dia eu vou falar com a lua e dizer-lhe o quão bonita tu estavas na noite em que te vi.





manesflama

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

musa destruidora

musa destruidora!

trazes no peito de prata
um colar de pedras rubras
não ouso tocar que mata
as minhas mãos imundas

dessa pedra que ostentas
maior entre as demais
todo amor alimentas
com bailados orientais

prende o olhar desconfiado
de todos que passam por ti
eu , cão esfomeado
todos os livros já li

não encontro explicação
esse fogo arde em mim
dedicarei uma canção
sem principio nem fim

cantaremos juntos
sentados numa estrela de pó
essa melodia aos mundos
e não mais estarei só

e se perto do fim estiver-mos
consciência esmagadora
cantarei mais alto os versos
minha musa destruidora



manesflama

ate que fosse madrugada

ai quem me dera que tudo fosse diferente
que as gotas que escorrem da minha face
não fossem lágrimas mas sangue de gente
sou órfão das palavras que escrevo
sou o desastre que o destino tece

ai quem me dera não ter saído do cravo
que ainda alimenta a esperança
dos homens feitos soldado bravo
que arrasto desde tempo de criança

ai quem me dera aos serviçais do medo
uma morte rápida e indolor
num suspiro de alivio letal
que as mães do fogo pela manha cedo
festejassem o nascimento sem pudor

ai quem me dera que de forma liberal
os que fazem do ódio e repressão
a cantiga de alvorada
caíssem de maduros no chão
e sufocassem no próprio vomito

ai quem me dera depois de lavada a rua
e a liberdade agora libertada
pudesse andar por ela nua
ate que fosse madrugada

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Confusão causada de dentro para fora


Num dia normal como outro dia qualquer, dei comigo a separar duas notas de papel. Rascunhos que escrevi com tinta de servidão. Pela semelhança das duas ,borradas de suor com bordados de perfume e estrelas de fantasia já sem brilho e muito gastas quase esquecidas eram as duas retrato fiel da sua insanidade não pude esperar e com uma espada que fiz nascer, cortei o texto das duas que já não podia ver e uma ira começou de dentro do papel com tinta a chorar em gritos de agonia que já não posso abafar raios partam ! Eu fui o carcereiro e sou um ditador tenho um exercito de letras aladas um pouco ensanguentadas mas ruínas de ouro serão se não ceder. Perdi e dobrei os dois pedaços de papel e serenamente adormeci.
Manesflama

desce o pano!

com as mãos ainda tremulas
carregadas de ódio letal
suor a escorrer na face
lavo a cara tiro remelas
sangra no coração de metal

alivio o sofrimento
dou risota de palhaço
sou um homem de cimento
cão de palha no teu regaço


a faca de gume afiado
que transporta o meu pesar
delira com o massacre
alma podre ser excomungado
salve o serpente de veneno acre!

com olhar de pedra e luz de medo
levaste a minha alma de vencida
coroaste-me com o teu punhal
sangro em pedras e puro sal
eremita farsa que vivo banal


desce o pano!
colorido nu de preconceitos
agora jaz na nuvem densa
deseja de vir a ser palco
deste espectáculo final

Manesflama

terça-feira, 11 de agosto de 2009

aprendi a sonhar



aprendi a sonhar
embalado pela tua voz
os dias que passava ao teu lado
serviram para escrever todos os verssos
todos os poemas
de inspiracao total
era como se a tua voz fosse feita de luar
com a tua boca talhada para tao delicada tarefa
de olhos fechados e respiracao contida
vejo a tua imagem a preto e branco
com sombras tenues
e recortes de fantasia
sentes o que te digo
e fazes-me sentir o que nao dizes
e parece que sempre foi assim desde que te conheci
parto a tua busca agora que me sinto so
mas estou cego e muito canssado
nao conssigo pensar
tenho cuagulos de memoria que obstruem o raciocinio
que de certo me faria ver que ja nao existes
que ja te perdi
e nunca mais vou voltar a sonhar


manesflama

domingo, 9 de agosto de 2009

ola ! diz-me quem tu es ?



ola !
sou eu quem te diz quem sou

sou a palavra solta na boca de um passante

sou o vento que sopra de leve e faz as arvores balancar e as rosas florir

sou a musica desconcertante que se ouve de um instrumento distante

sou a oracao pertinente de um oraculo intemporal

sou a fome que faz vitimas do mundo e do dinheiro que mata cruel homens que nunca choram

sou a briza de um verao escaldante

sou o canto dos passaros nas manhas de maio

sou as folhas tristes da tardes de outono

sou uma criacao arquitetonica robusta e duradoura

sou um plasma de ioes controverssos

sou uma parteira que traz a vida outros seres do ventre de uma mulher que foi amada

sou abelha que produz sem racio e inconsciente

sou o fogo que queima as almas aos inconsequentes do amor

sou o mar que rouba a agua aos rios e ao roubar dos pequenos faco-me grande

sou a cura suprema para todos os males

sou a face da criacao o riso cinico do juiz de morte

sou uma monumental mentira o choro de todas as pedras em lagrimas de po

sou um homem !
sou um homem !
sou um homem ...caramba!


manesflama

domingo, 26 de julho de 2009

pudera eu la estar para ver!!

la vou eu de mao dada com a burrice
sempre a par com a minha condicao
houve quem me dissera juncosamente
que a corda que trago atada ao pe saiu
e de fora a fora eu sangrei meu coracao
nao pensei que se tornasse a velhice
um tao disparate digo-o sinceramente!
se ficam aborrecidos ?
e a nova que pariu?

atravesso uma parede de um salao silencioso
rasgo os panos ,espreito a janela
e a par com a maquina do tempo caio
desmonto-me e embrulhu-me numa caixa de lata velha
que me guardem num sotao e com sorte um dia
uma crianca brincando podera talvez
montar o velho brinquedo e divertir-se a valer
ah!
pudera eu estar la para ver !!



manesflama

segunda-feira, 29 de junho de 2009

para ti meu amigo

podes dizer adeus quando eu partir
pois sera a ultima vez que nos vemos
tudo o que tem um comeco tem um fim
e na despedida fa-lo a sorrir
porque agora eu vou onde ja nao ha medos
e recorda com ternura tudo o que ha em mim
e recorda mas sempre com muita alegria


fomos uma vida cheia de cenas surreais
partimos a loica toda, recordas-te?
num ultimo esforco te peco amigo!
nao facas estupidos rituais
sonha com nos dois somente
que sorrir e tudo o que conssigo
que algo mais sera tempo mais que perdido

manesflama

domingo, 28 de junho de 2009

vergonha

sentei-me numa taberna de uma rua velha e suja
olhei para o lado e numa mesa distante a converssar baixinho de maneira suspeita
um imberbe rapaz e um outro que nao sei
sem desviar o olhar fingia de mentir ouvindo
supreendido reconhecendo-os finalmente
o rapaz nao e estranho
mas o homem era um lutador um ...
agora e pedinte esta a pedir esmola de mesa em mesa e chegou agora a minha vez
levantou-se veio ter comigo nao fui capaz de olha-lo na cara
levantei-me fui-me embora
nunca mais vi o pedinte
nunca mais olhei para alguem em meu redor
morri de vergonha
manesflama

amor V odio

vieram os dois para a praca publica .um de pijamas as riscas outro de calcao rosa e blusa branca .desafiaram-se mutuamente perante uma plateia de estrelas .do desabafo a calunia passando pela ofenssa e ja a madrugada ficava denssa .canssados da balburdia causada e de ser tao tarde de madrugada ,voltam costas e com desprezo dizem um ao outro :-nao me voltaras a ver ...-ah que sensacao amargurada ...em cinismo respondeu perante tal afronta fica o registo de espantar ,que nunca saiu vencido e o que fica sem aceitar, a cada encontro dos dois so resta ter esperanca! e que uma madrugada saia em pijama loucamente ,e depare, na praca publica com o que devora a gente mas loucos e desastrados estes dois serao sempre e se aceitarem o desafio nao havera que os aguente !
manesflama

quarta-feira, 13 de maio de 2009

possivelmente...



um homem que trabalha 
um homem que perde o dia 
um homem que abafa o silencio 
um homem que nao sustenta o perigo
 
desce a rua e tremendo vai
sem medo com fome vai
com o penssamento no amanha vai
lutar males bem conhecidos vai

de cabeca no chao chega ao local de sempre 
de cabeca no chao ve as pessoas de sempre 
de cabeca no chao faz as suas tarefas de sempre 
de cabeca no chao regressa a casa como sempre 

cansado torturado humilhado senta-se 

mas 

sorri e brinca com os filhos 
sorri e beija a mulher 
sorri e janta a mesa com a familia e um amigo
sorri e feliz vai-se deitar 

canssado feliz e alimentado 

descansa

sonha com o dia seguinte 
sonha com um amanhecer diferente 
sonha com uma realidade irreverente 
sonha e sorri a dormir ...

possivelmente ...
possivelmente ...
possivelmente...
possivelmente ...

acorda e o dia comeca 
novamente .





quinta-feira, 30 de abril de 2009

com a mao pousada no queixo na minha janela aberta

com a mao pousada no queixo na minha janela aberta 
vejo o mundo que corre la fora a um ritmo louco
sinto que algo se passa e eu tao serenamente apatico
com a mao pousada no queixo na minha janela berta 
vejo que vejo pouco e sinto que sinto pouco 
la fora algo acontece que nao percebo e que me deixa louco
vejo homens e mulheres criancas e automoveis arvores e passaros 
jardins e gatos autocarros e bicicletas comboios e nuvens 
sinto amor e frio calor e azafama ruido e sobressalto 
com a mao pousada no queixo na minha janela aberta 
a morfologia das coisas a patetice do que nao imagino 
vejo que nao sobra nada se retirar alguma das coisas 
vem um homem e mata um outro homem a demencia 
 a tristeza da descoberta do sentido dessas mesmas coisas 
o vazio deixado pelo sangue por tantos derramado 
a impotencia de ser algo fragmentado disforme 
com a mao pousada no queixo na minha janela aberta 
que por vezes esta fechada que por vezes nao quero abrir 
mas passam dois miudos na rua  a brincar e a sorrir 
as coisas mudam de cor e a alegria comeca a fingir 
como o sol que brinca com as nuvens e nao as deixa subir 
como o som do bater das asas de um pombo que voa so por prazer
como o amor que um casal sente antes de se corromper 
como o vapor que aquece a caldeira da maquina a vapor 
do tempo quenao controlamos 
com a mao pousada no queixo na minha janela aberta  
das accoes que nao desejamos 
dos predios enormes que crescem ao redor 
dos corpos apodrecidos na lixeira da existencia 
no farrapo que so eu vejo la fora 
que ao contrario me condene se for farssa ou cobardia 
mas desejo que chegue breve tao desejado dia 
em que os homens descubrirao somente  inocentemente 
que a forca que mede o homem essa nao tem demasia 
o dinheiro esse sim usado pela peste 
vai matando o que vejo ate que nada reste 
e o mineiro cultural que escava o conhecimento 
que divulgue o segredo desta civilizacao agreste 
com a mao pousada no queixo na minha janela aberta 
sinto que perdi forca mas ganhei uma confusao
a mesma que infesta as mentes da multidao
que se vende que se prostitui sem que mereca perdao
com a mao pousada no queixo na minha janela aberta .

quarta-feira, 18 de março de 2009

tu


ouvi um barulho e fui a minha janela 
o reflexo que vi nao foi mais preto do que nada 
tentei perceber o que tu pensaste 
tu que amarras a corda ao pescoco
 e sem demora a desatas 
se tu pudesses por essa corda e nao saltar dela como quem tem raiva 
se ao sentires a forca que sai de ti
e cai 
a tua cara o teu pensar 
seria talves pedir demais
 tu que saltas do comboio em alta velocidade e esbarras a cara na terra quente 
tu que pariste uma primavera de sabor escaldante e olhos de prata 
seria sem duvida a prenda mais bela de toda as prendas 
corrompidos pelo alarme da sabedoria o desgosto de existir 
o coracao de pedra flamejante em que tu te encerras 
cai do trilho uma so vez
 de vez!

segunda-feira, 2 de março de 2009

Sonhei sem querer sonhar















Sonhei sem querer sonhar .
Com um beijo de sabor intenso .
Com um amanhecer a teu lado .
Sonhei sem querer sonhar .
A memoria de estar contigo .
Numa manha de ternura partiste .
Saudade que deixaste .
Desejo nao mais acordar.
Neste mundo de maldade .
De madrigais de desprezo.
A sina de te deixar no sonho inacabado.
Aumentou o desejo de te ter acordado.
O perfume do beijo imaginario.
O toque de seda recordado.
O cheiro a sol da casa do sonho.
O caminho precorrido do tempo contrariado.
Se passo ao lado ,que outro eu te encontre .
Numa luz de desejo guiado.
Que seja o caminho encontrado .
No real imaginado.
Sonhei sem querer sonhar .
Que nunca estive acordado.

simplesmente viver

(este poema foi cedido por alguem ,bonito e cheio de sentido mesmo a sua imagem . obrigado.)


Compreendi que viver e ser livre .
Que ter amigos e necessario.
Que lutar e manter-se vivo.
Aprendi que o tempo cura .
A magoa passa .
Que a decepcao nao mata.
Que a depressao passa .
Que hoge e reflexo de ontem .
Que os verdaddeiros amigos permanecem.
Que a dor fortalece .
Aprendi que sonhar nao e fantasiar .
Que a beleza nao esta no que vemos .
E sim no que sentimos .
Que o segredo da vida e...
Simplesmente viver .


quinta-feira, 6 de novembro de 2008

a parar

serei falso?
se nao disser o que sinto!
impulso que me revolta
nao ser capaz nem por um momento
de fingir e brincar
sou um pulha que investe
na verdade absoluta
crianca que baralha cartas da vida
e mistura dor e paixao como uma puta
trabalhando sem parar,
neste lixo inacabado
fernezim sem precedente .
vejo homens a lutar para roubar o que e decente
passo tempos a olhar uma estrela que nao vejo
saltimbanco ,malabarista .
tabernaculo, fingidor .
mas a vida e sempre assim .
e paro!

paciencia


 
remeto ao desconhecido 
de dentro de um mar de pedra 
que enclausura abrupta a minha alma 
se e que ela existe ?
questiono aos deuses, que verdade os resguarda ?
porque bacas paredes se revestem ?
deixam-nos a nos mortais duvidas sem resposta 
castelos de fe ?
mais dura que a pedra mais dura 
sera que nas linhas do destino nao esta contemplado a reuniao com o presumivel criador ?
fora a reuniao maior do que a dor 
na fortificacao em que remetido esta 
o presumivel corre o risco da inesistencia 
e a nos resta ?
ter paciencia !

eu e os meus panos quentes

em conversa de amigo fiquei um pouco espantado
quando me disse quem era nem achei que poderia 
confessou-se Prometheu,ser um operario malfadado
acusado de ladrao,de boemio,de aprendiz de olaria.
ah ! mas nao esperam p'la demora !
disse em jeito de frustrado.
acalma-te bom amigo a vinganca nao te leva a nehum lado....
qualquer patrao reagiria desolado.
acabou por ser Athena a deusa e o pobre difamado.
mas de amor nao me acusam de nao ter!?
pois isso e verdade isso e verdade ....
e em converssa de amigo fiquei mais aliviado.

uma cancao

cinco moedas de ouro 
por ser ouro e tesouro
oico ecoar um estouro 
de uma cornada de touro!

arco de pua e tu 
finco o dente na almofada 
o estridente som alude assim
erramos nesta estrada 
ao encontro da eterna madrugada 
feita de chuva e sol alternados de poesia 
testa amachucada num chao de pedra fria 
e passados seculos de teimosa aberracao 
dou comigo a fingir poeta de coracao 
como cabra a bramir num desespero tal
que denota os sentimentos disfarcados de situacao
sou aquilo que quis ser nao encontro outra explicacao
mas que humilhacao nao poder ser diferente !
e ter de representar no palco da desilusao.
mas nao quero desistir e sempre que possa e me deixem !
como o operario sua !
eu cantarei uma cancao.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

over a troubled afternoon



I've passed a long long way
I've seen things time will say
troubled minds along the big river
the bitter skin of a rotten worm
the passionate flute that wiggles
notes of a wisdom lost in memory
all along the stars for me
infused with spells of love
will bring you up from the deep deep sea
the day i arrived as the legs shacked
from the long journey
to a troubled afternoon

domingo, 20 de abril de 2008

basta de palermices


de palermices basta
fora as encomendas
que nao sejam rendas
e de boa casta
algeroz de barro
e cantaro de palha
um belo carro
e um tanto de tralha
que nao falte caganeira
arroz doce com canela
dose certa de parvalheira
e arroz com carne na panela
casaquinho de trez botoes
com sapato a condizer
uma mao cheia de baroes
que se regalam ao comer
ah mas que delicia
que e ver tais comensais
aos que morrem de etricia
premeados de funerais
mas nao falta ferramenta
pois que trabalho dignifica
homem sem lavoura e tormenta
carne podre camera frigorifica
e por la ao abandono
triste sozinha amargurada
tem uma pessima vida
que amorte lhe chegue em abono
numa linda madrugada

de madrugada


andava descalco com os pes bem doloridos
pisava o chao quente das estradas de pedra
sentia a pedra mas nao os pes estranho
era lento demais para poder sentir o frio
confuso com tudo isto caminhava parei
e foi que avistei
nao sei bem descrever
nem sei se nao era alucinacao
mecanicamente talhada
imagem rustica era
suja e rota acho que era
ai que tormenta
estarei a ficar louco
mas que pergunta eh eh
solucei matei outro
nada que atormente
parei a porta daquela casa
fiquei la e por la
olhei de novo e
ainda la estava
que frio que frio
que frio

sexta-feira, 18 de abril de 2008

ao chegar a ser

deixa-te levar por uma sede de liberdade
deixa-me tomar um trago dessa vontade
deixa-te embeber dessa vaga de ansiedade
deixa-me pertencer ao sabor da verdade
e depois sorri
e depois danco
e depois afaga
e depois desmaio
vamos ser um campo cheio de terra por lavrar
vamos ser o espaco que todos querem conquistar
vamos ser uma estrela onde paramos para nos acariciarmos
vamos ser o oposto da razao o reflexo da existencia
somos o grito da rebeldia
somos zombies de dia
somos uma camcao de amor
somos tudo tudo tudo
quero ver suar as lagrimas
quero que o sol me beije
quero ver o amanhecer
quero ver chegar as andorinhas
tenho medo de ser tarde
tenho raiva de alcancar
tenho forca de mil homens
tenho sede de te ver

quarta-feira, 26 de março de 2008

ha uma estrela assim eu sei

foi assim desde que te vi
os desejos que tinha de ti
e fui sempre ao mesmo lugar
procurando puder-te encontrar

aos olhos doce de mel
que as estrelas agora reteem
peco incansavelmente assim
achando que eles me veem

nesta busca inpertinente
encontro-te so em sonhos
que acordado e tao somente
desejo ver tao doces olhos

que deles sorrindo fosses
sempre bela mas inocente
amando homens irreais
fantasiando brutalmente
ah!se tu pudesses?
olhar-me uma vez mais !

terça-feira, 18 de março de 2008

A MORTE

para quem nunca sentiu
o cheiro perfido da morte
ele abafa os sentidos
queima a vida
lenta e dolorosamente
e um cheiro a podre
uma presensa
sempre
putrefacta
rebenta em furiosas ulceras
rouba as veias
tapa a respiracao
e leva a vida de vencida
num apice
e o perfume de petalas de rosa
que inspira os poetas
desaparece
num apice
e dor e sofrimento que
ao aparecer acaba
com o sofrimento
provocado
por si mesmo
e um falso misterio
insipido
e tortura e martirio
nao teme nada e
sai sempre de vencida
e um cheiro maligno
por vezes conseguimos
engana-lo
ou
ignora-lo
mas nunca
nunca
jamais
o esquecemos

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

instinto

nao sou escritor erudito
nada do que escrevo e academico ou ensaiado
dou erros de ortografia e sou mal acentuado
sou de poucos recurssos monetarios
e para alguns ate sou maldito
escrevo e pronto
como nao sou das letras sabio
as palavras saeem soltas
como o suor dos operarios
de um poema faco um conto
de um soneto um arrepio
e nunca tenho rimas prontas
musicalidade nem sinal
que as silabas me perdoem
esta minha incapacidade
nao sou la grande coissa ja sabem
mas que nao o faco por mal
nem teria veleidade
sou um mero animal

domingo, 24 de fevereiro de 2008

a amizade

nao quero ser inventivo na descricao desta palavra
nao quero ser repetitivo no suposto sentir da mesma
somente me questiono das vezes em que e usada em vazio
dos altares que lhe sao feitos meras fantasias
nao ouso sequer pertencer a essas engenhosas coisas
multidimensionais que confundem baralham atrapalham
a mera distancia entre a vida e amorte
os opostos sempre juntos
o amor e odio
sinto cansaco sinto frio
sede e fome
calor e riso
a faca no peito afiada a romper a carne
e o sangue a correr
o corpo a cair
e tudo a comecar de novo
la detras das sombras onde a noite abraca o dia
e saimos encantados da mentira a que somos sujeitos
do que aceitamos e que pedimos por tudo que seja verdade
que o som dos meus gritos ecoe pelas veias dos vivos
e que o reflexo enalteca os mortos
e que nunca ninguem deixe de falar sobre a amizade

pedra perdida

na rua onde moro que e como outras iguais
parei interrompido por uma pedra que estava a chorar
e continuei
nao dei atencao pois achei eu que as pedras nao choram
as pessoas que passavam so passavam e passavam
uns fumavam outros converssavam outros traziam jornais
so para ter a ceteza decidi voltar
e voltei
parei interrompido por uma pedra das que perguntam
se eu achava que as pessoas eram todas iguais
nao dei atencao pois eu estava a procura de uma pedra que estava a chorar
e procurei
procurei
procurei
e nunca mais encontrei a pedra que achei que estava a chorar .

sábado, 9 de fevereiro de 2008

rosa branca

do compasso que descreve a vida
tres estorias vou contar
uma de uma rosa branca
outra menos triste
e uma que acabei de inventar

comeco pela menos triste
que decerto vai gostar
e que descreve coisas belas
sem intencao de encantar
uma mulher de sete pernas
foi parir de oito meses
deu a luz um belo homem
guerreiro forte e audaz
padeceu inocente lutando pela paz
passemos a rosa branca
que era do meu jardim
floresceu de madrugada
veio o dia e ficou vermelha
como pode a luz ser tao cruel
um sentimento descrevo agora
na estoria que inventei
copiando a engenharia das coisas
fiquei aterrado frio de gelo
que acho que nao e realidade
acordei de um pesadelo

fragil

sento-me na minha cadeira velha e leio
um belo poema de verssos transparentes
deixo-me levar ao som da melancolia
recordo dias em que tarbalhava ate tarde
a espera de alcancar algo que enaltecesse
a minha forma egoista de pensar
foi que me veio a memoria uma bela imagem
que nao ouso esquecer e que de certa forma
retrata o que de inexplicavel pode acontecer
era ja tarde e teimava em continuar a ler
e a fazer de conta que a sua presenca era singular
que bastariam devaneios breves e tudo seria diferente
que engano
descia as escadas de forma suave
pernas tremulas e esguias
um busto imponente de formas bem defenidas
pousava as maos de uma pele doce e fragil
no parapeito que dividia as escadas de uma varanda
e la descanssava e partia suave
era asiim o principio de mais um fastidioso dia
saber o que possa fazer de certo so me atrevo a adivinhar
a realidade supostamente nao me agradaria
o dever de encontrar respostas brutais que desmascarassem o seu dia
e era como quem nao ve
voltava do seu encontro com a fragilidade adormecida
serviria de esquizofrenia a sua disputa da vida
e avancava
fiquei a admirar a forma ligeira dos seus passos
sem dar importancia ao peso que a sua consciencia transportava
e ia todos os dias ver e nunca cheguei a perceber
porque deste desencontro forcado desta desmarcacao
e ainda pensso que deve ainda hoje ser a mesma .

domingo, 20 de janeiro de 2008

e tu...

depois de la estar e que senti
senti o amargo de poder partir
voei com asas de prata e luzes vagas
na vileza do maio nunca alcancado
uma madrugada adocicada ao consciente
roubada a infamia do que eu fora
e as ruas me diriam sempre em voz unissona
a minha passagem breve e melancolica
que eu assumira uma fortaleza a qual elas nao percebiam
e tu ,e eu , nos limitar-nos-iamos a fragilidade
conversei com as sombras da noite que nao se aperceberam
e eu , e tu
furei a camadas de vento que de dor queixando iam
serenas ,procurando ,dsabafando,sentindo
e eu ,e tu.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

nao posso parar de olhar para esse teu vestido
nao posso parar de te pensar de tao formal dia
nao era de estranhar que suave ingenuo pedido
nao foi a lagrima molhada e luz reflectia
o contorno fatal misto cego vermelho
o desconforto de sonambulo escuro asco
maldicencia escocear do vento de novas iras
pois o tempo nao se guarde em frascos
nem o odio se corte as tiras
dancem o festivais da demencia
lutem de redes e arpoes forca aos pescocos traidores
e eu volto e digo bem alto
nao posso parar de olhar para esse teu vestdo.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Prado. E.

ao sugerires um dia que eu fosse beber do mar
toda a agua todo o sal todo o ar todo o iodo
ao sugerires um dia puderes fazer parte
dos meus verssos e neles assombrares
todas as noites que passo a pensar em
fazer de ti a minha fonte de inspiracao
farssa que corroe as minhas veias e sufioca o meu ser
e sinto-me cansado como se trabalhasse dias a fio sem parar
como os operarios como os politicos como as forcas quimicas
mas nao deixo de pensar em ti
mas nao deixo de querer estar contigo
mas nao deixo de te imaginar minha
e nao penso
e nao estou
e nao es
ja pensei em beber toda a agua e secar todos os mares
ja fiz do dia noite e da noite dia
e falhei
e voltei a falhar
sou um falhado
sou um maltrapilha
sou um idiota
sou idiota e ando todo contente
ah ! que ilusao o amanha
a desilusao de manha .

es tu ou sou eu?

a forma mais estranha e bizarra de de que de ti me lembro
e de estares sentado naquele sofa velho forrado a pano
e la passares tempos interminaveis a pensar ou a viver no teu mundo
inevitavelmente dou por mim a tentar perceber o que te faz assim
o que e que possas ter que faz com que as pessoas te vejam diferente
que bastam alguns minutos de converssa e parece que ja fazemos parte do teu mundo
embora de uma forma muito distante mas mesmo assim fascinante
sei que nao tens crencas religiosas que te emocionas com as coisas humanas
que falas de arte e do trabalho como uma so forca intenssa forma de vincares a tua posicao
por vezes es bruto magoas e sais de ti de uma forma animal revoltado e sincero
a minha subtileza deixa-te triste e nao consegues passar esse malvado ser
para ti nao passo de outro grande universso sim porque para ti um ser e um universso
sentarme-ei naquele sofa e esperarei por ti todos os dias e se nao adormecer dirte-ei tudo o que penso de ti.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

para ti minha irma

de busca aos anos passados
as memorias que ficaram
deixariam marcada a figura
qual guache esbatido em tela
pinceladas de tinta aos montes
espatuladas assim figuram
desenhando lembranca pura
dois irmaos de bracos dados
os segredos que mormuram
sao assim relacao forte
brincadeiras a luz de vela
que roubam vida a morte dela
na pintura que se forma vaga
faz do pintor um sabio do presente
navegador cansado do infinito
so, pintando vai ,vai dizendo
alma mais quente que o sol
os segredos que mormuram
dois irmaos de bracos dados
desenhados no papel ganham vida de graca
eram prova do artista
que se esmera a dar as palavras a vida que nelas pinta
e furioso em acto de vilania ,
vende a obra em leilao de caridade
os dois irmaos de bracos dados
chorando pediram ao pintor
que nem que voltasse a pintar
-nao desenhes a nossa dor

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

o fim assim

longe de tudo estamos ,das casa das pessoas das ruas e dos seus ruidos ,estamos de tudo bem longe.

poderia ser uma forma de lamento
poderia ser uma forma de sofrimento
poderia ser uma forma de imaginacao constante

um ruido
um ser perdido

um oasis coberto de jasmim e flores de seda
um paraiso no sonho que se torna disforme no sono profundo

a cidadania nobre das moleculas de odor
a melancolia translucida do homem predador

faminto voraz soberbo individualista
a soberania exerce uma tremenda forca confiada a si mesmo
e por de traz da sombra cai em dor mortifera

e capaz de tudo dos olhos vermelho sange a lembrar coagulos de fogo
sai o terror como vomito em rompante

o animal esta morto
o animal esta morto

celebra-se o evento
canta-se o acontecimento.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

assim sera

sempre convivi com a sensacao de que estar certo nao dava certo
de que cquestionar seria melhor do que dar por conquistado um espaco no desconhecido
uma erva que aflora no deserto
um fio de agua que evapora sem ruido
um ohar deconfiado sobre tudo o que me rodeia
um admitir electrico do curioso desvendado
irracionalidade espontanea que escoceia o pensar
devastando as imagens obtidas no seio da alcateia
que deixa preplexo qualquer mesmo o mais desmamado
contraditorio ou louco objecto de luxuria no desvendar
da mensagem menos sobria ao descrever de nocoes
alimento a secura das palavras que ao ler dissipam
as lendas minunciosas que imortais e anciaos
dao cor e vida aos enfermos do pensamento
corroidas emocoes
vertebras incandescentes
espadas de gume bem afiado
que rematam o momento
ai que vou aos trambulhoes !
e jamais serei perdoado
que escrevendo vou desabafando
e do buraco negro sem sombras abro-te as maos
suadas gretadas e reveladoras das mais ferozes verdades
e intransegentemente
so assim sera

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

breve memoria

chegando assim a casa da minha tia
fiquei muito espantado com o que la se fazia
depois de me compor e com muita subtileza
comecei a perguntar dando a volta a questao
nao evitando a parodia nem sequer a confusao
da verdade intransponivel dos olhares a mesa
onde tudo regelou com tais pueris jogos
e dos olhares so saiam faiscas de grandes fogos
acalmados os animos com as minhas fantasias
assim ficaram tambem todas respostas vazias
ninguem sabe ao certo o que se passou nesse dia
em que cheguei assim a casa da minha tia .

manes flama: certo dia ...

manes flama: certo dia ...

certo dia ...

ola bom dia como esta ?
perguntei um dia de inverno ,
como a vida e simples... ,sera?
as cores de um dia taciturno
tipico da epoca do triste encontro
nao penses que te safas !
deu em jeito de ultimato
poderiamos talvez conversar?
negacao abrupta de maos dadas
tocado o inverso posto de parte o sapato
retirada a seiva do suposto
seguindo viagem na sua imensidao
o imediato assustava !
no horizonte a calmaria
ja ninguem se atreveria
ja ninguem axincalhava
o ruido isurdecedor ja nao se manifestava
ola bom dia como esta?
converssa acabada !

sexta-feira, 18 de maio de 2007

num amanhecer tardio

vivo numa casa de palhas .
armei o cerco a vida que tenho;
fragil, magica , encantadora!
embolorada de fetidas sombras ,
como livros que vao dizendo o
conto de fora para dentro.
das paredes escuras fechadas ;
por vezes sombrias, iluminadas, somente
pelo desvendar de sonhos inacabados ,
dos aventureiros da virtude!
e la estou eu a fitar as tabuas
como se tratasse de um tal misterio desvendado
que sai da luz das palavras que compoem o texto
do fertil amanhecer.
da pele queimada pelo abrasador sol que passa
de socalco entre os dedos das nuvens que olhamos distante,
bati com a mao no banco de madeira !
tao sujo e gasto em que me sentei
um dia de sol quente
e fiquei a espera de ti.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

transtornados ,ou sera transformados...sei la!

recordo o local da minha infancia
o espectro da vida a preto e branco
que em todas as criancas padeceria
em um colorido fernetico de inventor manco

eramos como soldados de um exercito sem bandeira
inocentes criadores de formas de abstrato
de um pouco, que nada era, se fazia brincadeira
da lata de atum ,um carro,dos galhos da arvore, o abrigo
de nada se fazia de tudo o que tinhamos ,conquista de perigo.
o medo era vago
raras as averssoes
forte sentir da vida
depois de viver tudo isso
depois de assistir a toda a trajedia
depois de velar corpos aos quais a vida roubou a vida
quase desejada quase amaldicoada
que pena que e recordar
que alguma vez eu la estive

a ser

recordo o local da minha infancia
o espectro da vida a preto e branco
que em todas as criancas padeceria
em um colorido fernetico de inventor manco

eramos como soldados de um exercito sem bandeira
inocentes criadores de formas de abstrato
de um pouco, que nada era, se fazia brincadeira
da lata de atum ,um carro,dos galhos da arvore, o abrigo
de nada se fazia de tudo o que tinhamos ,conquista de perigo.
o medo era vago
raras as averssoes
forte sentir da vida
depois de viver tudo isso
depois de assistir a toda a trajedia
depois de velar corpos aos quais a vida roubou a vida
quase desejada quase amaldicoada
que pena que e recordar
que alguma vez eu la estive

eternidade

por mais que seja assim
e te veja sempre sempre
eternamente tu
rasgo todas as cartas escritas
que desmaiam ao ser lidas
cansam os olhos de ir
presos aos versos dedicados
a ti... a ti...
desces a rua
vejo-te
sinto-te
venero-te
e la no fundo do poco
la
afoguei o corpo
as pedras negras
humidas emboloradas
olham-me e culpam-me
evito-me
desprezo-me
sinto que te perdi
algo me diz que estou certo
percebo da loucura a que estou condenado
que recluso nao posso ser
a morte e so ela me liberta
causa deste afecto fatal
e o perfume das flores da escuridao
passsa por ti e diz de quanto sempre serei teu.

sábado, 6 de janeiro de 2007

sussurrar de ouvido

vou caminhando no passeio da solidao
de ca pra la solto pela imensidao
de ser esvasiado da perguica emocao
ando acorrentado com facas afiadas
ao peito descoberto correndo o gume pela carne podre
sofro a demencia do prazer que os vermes sentem
ao devorarem a carne apodrecida dos cadaveres da evolucao
em orgia banal que cumpre o seu destino
fundamental e propositado sinto o calor humano
tepido em evaporacao que sozinho vou ficando
nesta minha descricao maquinas e maquinas
uivao na percepcao do homem que produz sem malicia
sem pedir
megabites,megahertzs, e outras definicoes vao sendo
mais usuais do que a beleza e ate o amor
sinto o electrico calafrio do desprezo da humanidade
do escritorio do autocarro e ando leproso no caminho da solidao
se assim for a ecletica malicia
predizer o meu destino erratico
sofrego padeceria num leito apodrecido
uivo bem alto que ninguem me dissera
que do som que emanei estatico
nasceria desta forma
um sussurrar de ouvido.

domingo, 22 de outubro de 2006

paralesia cerebral ,doenca que provoca apetite de viver e inibe o homem de reflectir sobre si mesmo

este e o diagnostico do meu paciente
analise que faco apos tempos de estudo
conclusao a que chego .
pobre nacao estas doente
digo o que me parece certo
o estado e grave e parece-me que tende a agravar
com drogas nao me parece que resolva pois a que tomam
tem efeitos devastadores a relegiao deveria ser detonada
fim a sua prescricao.
morrera assim
ao menos que seja feliz
aconselho o suicidio assim evita-se o genocidio
que grave
que grave

sinto de mim

sinto de mim
correio que nao chega ao seu destino
porteiro que se descuida
sinto de mim
correria asfixiante que arruino
no preludio de uma infancia falida
sinto de fim
as folhas que esvoacam neste outono
caem sem escrupulo povoando o chao
pedra qual ser absorvera outras lendas
sinto de mim
a paixao que alimento desta vida sem lesao
janela que se abre porta que se abre em fendas
sinto de mim
sinto de fim

quarta-feira, 11 de janeiro de 2006

refleccao apos dia de trabalho durante uma conversa com o paulo

estando nos a conversar cheguei a seguinte conclusao:
DEVEMOS SEMPRE SER CONSCIENTES DO QUE SOMOS,
POIS A CADA PASSO QUE DAMOS EM VEZ DE SER UM PASSO EM FRENTE,
ESTE PODERA SER,
UM PASSO EM FALSO!
fiquei com vontade de publicar este pensamento
pois nao poderia nenhum pensamento ser mais adequado ,
pelo menos para nos.............

terça-feira, 22 de novembro de 2005

ao meu pai

lembro de ver fotografia antiga ,
a imagem impressa sorriso discreto,
bem penteado cabelo ondulado para tras.
era moda.
solteiro pois claro ,transpirava um olhar de quem pensa com vigor.
vejo outra ja casado barba longa e mais pesado.
fez da vida o que quis ,cantou fado bebeu cafes , maltratou-se ,foi feliz.
tudo isto esta fotografia me diz , mas ,imagens trago eu na caixa do pensamento
de quando brincamos depois do almoco, sempre sempre apressado fuga contra tempo.
fui crescendo com a imagem de um grande homem .
sempre forte mas cansado.
sempre atento mas por vezes desmotivado.
agora eu ,que sou um homem que convive com este homem ,amiro a coragem.
desprezo quem com vigor sempre lutou contra, o que por ser seu pensar ,por dar a sua vida, por defender ideais, lutando ate contra esses ideais deu razao a minha admiracao ,
do meu pai homen do seculo xx.
num pais de lesmas.
homem do mundo a sua imagem este e o meu pai
este sou eu

quarta-feira, 16 de novembro de 2005

Ane Li o outro lado do sol

como ventos que se encontram
mares que se cruzam seremos
barcas voadoras que remam
contra gigante mares ermos

barcas voadoras que remam
ira solene odio rir
polen da flor de mim seras
a face rosada a sorrir

e de la raios seus emanam
nao sou cristo nem barrabas
forte como tu encandeias

ofuscando o nosso amor
seras mae mulher amada
corda forte atordoada

introspeccao

grito bem alto desaforado!
chao de pes mascara fluente.
risos petalas de rosa .
trigo maduro sol escaldante!
fervo agua queimo ripas,
canto passaro primavera!
dou por mim desanimado.
falta chama falta prosa.
tal crianca sou quem fitas!
sou cavalo sem quimera!
cavaleiro despojado!
es a flor de que cuido,
no canteiro milenar.
em que vivo morro,
e nao posso acabar !
sem olhar o sol escadante ,
do deserto em que vivo,
travessia torturante !
rosa espinho cru !
vermelho! sangue! lembra ,
o leito em que me perdi.
sou carne velha! mas tenrra !
calice de vida em ti!
pedregulho cimento e cal,
elementos que vivi!
es a flor que cuido em mim.

terça-feira, 15 de novembro de 2005

patria sangue

um verso coado no filtro da vida
um verso manchado no rio da sabedoria
um ser inacabado disforme insipido
uma faca que sangra o veu despido
e nu de face amachucada enxovalhada
contrapondo a vida em sobria correria
contra o vento contra o tempo
o vento que afasta, o tempo ,que distancìa
o homem grande o homem pequeno a morte
resto que fica e marca o sentimento fùtil
o barril de polvora o linguajar as vestes
tudo isto e efemero
ah!PATRIA SANGUE!!

vestes as roupas da mulher fertil
pariste um lagarto no altar
sangraste uma galinha ,para que?
corres no tunel do tempo contra ti
contra tudo contra todos .
amaste todos os homens com o mesmo fervor
e so ,sempre so, dormiste com todos .
filhos que lutaram por ti morreram !
homens que foram ao teu cerimonial morreram!
mulheres que por ti sofreram as maos da tua crueldade
es o centro convexo a ilustracao do que queres ser
mas passeias na avenida de mao dada com o odio!
ah!PATRIA SANGUE ! AH!PATRIA SANGUE!

quinta-feira, 3 de novembro de 2005

refleccao sumaria sobre o existencialismo

eu existo!
eu pressisto
eu isto .
eu aquilo.
eu nada.
eu tudo.
eu calado.
eu eu eu eu.
que merda !
que falta de cinismo ,extravagancia de ser.
a alma existe ?
o ser pressiste?
a faca nao consegue romper a carne comida dos
devoradores da existencia
as latas que batem
os caes que ladram
no meu funeral anunciado
eu existo!
que merda!

terça-feira, 1 de novembro de 2005

pudor

ela passa e fica ali.
sonho com ela discreta
passa e fica ali .
secreta!
ela faz que chora .
mas ri .
danca com o vento a lua.
ela e o icone fragil.
venero-a!
guardo a sua imagem.
rasgo do meu passado todas as outras imagens !
fragmentos que queimo sem fogo.
fogo que so arde para mim .
e vejo-a discreta
nua .
a pele a reflectir todos os raios de sol,
que alimentou todos os meus veroes.
saio a rua em sobressalto,
desmaio !
acordo, respiro o pouco ar que tenho ,
grito !
mais alto que o ruido da noite .
sinto-me enfraquecer, chego-me a ela ,
e a voz que antes rompera a velocidade do som ,cai em redondo e fico somente com a sua imagem!

dissolucao

a erva que rompe de um solo mineralmente puro.
o sal que deposita nas margens beijadas do sol na salina .
dadivas inquestionadas da natureza .
perpetua irmandade .
severa a face que alisada por ter sofrido da erosao da memoria .
cai em rebolao e a descida parece sem fim .
damo-nos calados !
damo-nos surdos!
damo-nos !de inocencia !
escarnio da era dos perdidos .
sofrega cidade de amantes da decadencia .
sofridos.
arrebatados .
sem pressistir na demencia a que sujeitos nos enconchamos como desaparecendo
deste horizonte perfido que inala morte!
destruicao !
sangue das facas afiadas,
na pedra do temnpo reflexo da imagem negra do ser .

sábado, 4 de junho de 2005

canta uma cigarra

la na minha aldeia,desculpem ,eu tenho uma aldeia
acho que tenho pois eu nasci la !
dizem os mais antigos que quando uma cigarra canta
alguem ,morre ?
que triste .
penso que quando alguem canta e pesso desculpa a cigarra , algo de mau nao pode acontecer .
rasgo a minha ligacao
canto uma cancao ,corro sem destino
vejo o sol a descer de dentro de as nuvens que rasgam de branco o azul calmo do sol.
algo se encanta em mim
de so a cigarra canta .

domingo, 1 de maio de 2005

como se fosses tu

como se fosses tu !
sol de mil estrelas
alimento suave
da face suada
da alma acabada
consomes o meu ser
destrois os meus sonhos
fico aterrado
acabado
conquistado
o sangue meu ja nao e
do sal da terra purificado
os tons brancos da vida
o suar de um cavalo
como se fosses tu!

la no jardim

olho e nao vejo
sinto e nao percebo
acendo um cigarro
sonho com o beijo
que tive conquistado
batalha perdida
olho e nao vejo
conquistado o cigarro
que dentro do carro
acendo o sonho
conquistado o beijo
que tive e nao sinto
olho e nao vejo